
Depois de tanto tempo sem postar, voltamos à ativa!!!
Bem, estou aqui pra iniciar uma nova fase no Blog, começarei a partir de hoje a postar uma espécie de diário que meus próprios jogadores escreverão sobre seus personagens de Lobisomem: Os Destituídos! Nesses diários serão expostas as aventuras pelas quais já passaram e as que virão!Usei desse método numa forma de incentivá-los a serem mais criativos, e até mesmo a pensarem como o personagem!Para os jogadores que não gostam de escrever, pedi para que criassem fetiches, rituais e qualquer outra coisa que os agradasse, até mesmo desenhos que poderiam se tornar futuros NPC's.^^ Fazer com que os players interajam com o Narrador pode melhorar e muito as narrativas!Fica aí a dica!;D
Bem...Vamos ao primeiro post!!^^
Enjoy^^
"O começo é o mais difícil.
Sempre começar é mais difícil, recomeçar então... Sempre é o mais complexo.
(olhando para o céu vejo a face de Mãe Luna)
O recomeço é a vida... E a vida, nada mais é do que uma etapa da morte. Vida e morte, faces e brumas da Mãe Luna.
Durante toda minha vida busquei o sagrado, busquei a presença de deus. Busquei sentir nas entranhas algo mais do que o medo que as religiões nos dão. Religiões feitas por mãos humanas. Eu cacei paz e não encontrei nada além de guerrilhas idiotas e de egos sem razão. Meus irmãos, eu fui uma criança assombrada por flashs do reino das sombras. Flashs que não eram mais do que borrões. Certa noite eu tive um sonho, ainda era pequeno e nada entendia, um sonho assustador com vozes que eu não discernia, eram grunhidos que não me davam medo, mas me davam paz. Eu simplesmente corri para meus genitores e eles me levaram para a prisão de pedra, acreditavam que era doença... E eu era tão pequeno... Não sabia o que era raiva, não sabia o que era mágoa, não conhecia o amor. Eu não tinha amigos, eu não tinha irmãos, eu não tinha nada... Eu não era nada!
(uivo de dor)
Trancado em seminários e instituições, prisões de pedra onde me davam remédios. Onde a noite eu tinha visões, visões não com deus ou com os santos, eu tinha visões com uma mulher. Durante anos me fizeram acreditar que era Maria, a donzela que eu via, que eu venerava. Cada visão que eu tinha, a cada terço contado e rezado, algo dentro de mim crescia. Eu não entendia porque estava ali, porque não podia ir para a igreja simplesmente e adorar a donzela que eu amava. Havia um homem lá, na prisão de pedra que me reconhecia, ele sabia que eu não deveria estar lá, ele sabia que eu não via o que me diziam que eu via. Ele dizia que eu era para estar em outro lugar, e que se ele pudesse, me mataria e arrancaria meus dentes para fazer um colar. Ele fazia a raiva em mim crescer. Ele me fazia gritar e ficar mais agressivo e chamar a atenção para mim. Eu era o menor que havia lá, a única criança. Por isso as enfermeiras me levavam para a capela em vez de me darem remédios, sabiam que estar ali, diante da donzela me faria acalmar.
Naquele verão, eu saí da prisão de pedra, fui para escola interna, estudei a fundo a religião deles, eu passei a amar esta deusa destituída de lugar naquela religião e por amor a ela me fiz sacerdote no culto deles. Eu levava outros a adorar aquela donzela esculpida de gesso, ornada com pó de ouro e flores. Mas não era ela! Ela não tinha brilho, não tinha luz. Então entrei em depressão, parei de comer, de rezar. Um homem de posto mais alto que o meu veio me ver, me ensinou sobre fé, que era necessário acreditar nela e nele para que o brilho viesse. E eu passei a acreditar. No meio de minha inanição e delírios eu me lembrei do sonho de anos atrás, então o milagre aconteceu, eu sobrevivi. E no meio dos altos louvores, eu a via, e o mais surpreendente, que sempre ao buscá-lo, eu sentia raiva, ira até, algo dentro de mim se rangia e eu não sabia por quê. Sai de lá, já não queria mais estar ali, não com raiva, não daquela forma, como aconteceu – destrui todas as imagens naquela noite. Então fui para o isolamento e passei a estudar o caminho inverso. Queria provar que ela não era ela!
(uivo de penar)
O fim é difícil, irmãos. O fim é muito difícil de aceitar. Mas o fim e o início são iguais para ela que é a senhora dos véus, que esconde sua face e revela a quem ela quer os seus mistérios. Fazia calor naquela noite quando este que está aqui, deitado e inerte, vestido de Urhan me mordeu.
(rasgando a própria pele, arrancando sangue e ungindo o corpo que ali esta e deixando gotejar no chão o sangue)
Ele me mordeu e durante dias procurei um sentido para aquilo. Ela me revelou sua face numa noite de outono, crescente e viçosa, durante uma vigília no monte, eu e alguns sacerdotes estávamos orando para a donzela chamada Maria quando ela me levou a sair de perto deles para procurar um lugar melhor. Ali ela me tomou nos braços e ele me caçou. Ele ouvia meu coração, sabia o que estaria para acontecer. Sabia que eu precisaria de cuidados. Ele me acolheu depois que nasci para ela.
(fechando os olhos, deixando cair lágrimas, uivando para a lua)
O fim irmãos, é um novo começo! Ele retorna para ela e ela o fará ir para onde deve ir! É uma honra para mim, que aprendi o que sei com ele estar aqui, auxiliando-o nesta viagem. Haviam oito lá, me olhando quando acordei, eles também me acolheram. Nem todos de bom grado, nem todos me queriam lá. Mas este que aqui está inerte, bradou e todos se calaram, mostrou-me naquele momento o que seu nome significava, “Ranger Silencioso”. E então eu fiquei lá e aprendi com eles também. Alguns já não estão aqui, já partiram, outros, estão em outros lugares, de certa forma também partiram. Ele ficou, era necessário ficar, mesmo não precisando. Mesmo a morte vindo ao seu encontro, ele ficou.
Ele me mostrou a fé verdadeira, me ensinou a caçada. A encontrar-me com ela! A donzela que caça nas alturas, a Mãe Luna! Ensinou-me nossa história, nossa língua, e um dia, mostrou-me o pai. O pai Lobo!
(uivos fortes, vários uivos, de todos os presentes)
Enquanto eu corria sentindo o vento em meus pêlos eu sentia sua força, vendo com meus olhos os dois mundos, eu sentia os véus dela a brincar por meus sentidos e me sentia em paz. Livre dos medos e dos receios eu estava livre! Livre para adorá-la, livre para amá-la.
Na manhã seguinte, quando lhe mostrei os frutos daquela caça ele me pediu para partir. Não era ali o meu lugar, ou ele não me queria ali. Os espíritos tinham revelado a ele que eu deveria ir para outro lugar, onde precisariam de mim, um lugar onde eu não seria sombra dele, mas ajudaria e seria ajudado, onde eu iria crescer. E eu parti... Demorei a entender o que ele queria com aquilo. Eu não era um covarde, jamais o deixaria só. Mas ele queria estar só, nos braços de Luna.
O recomeço é vida! É sentir a força de Mãe Luna nos tocando como na primeira vez que ela nos abraça e nutre. Todo recomeço dói, mas dói apenas enquanto não nascemos de novo.
Eu parti...
Onde cheguei, encontrei e fui encontrado em poucos dias por uma de nós. Uma brava fêmea que provou seu valor e liderança. Encontramos-nos entre uivos para ela! Havia um sangramento no dromo, muitos estavam passando de lá para cá e causando confusão, foi difícil conseguir fechá-lo e protegê-lo. Seu uivo reuniu alguns irmãos de outras alcatéias e juntos conseguimos fechar. Foi uma batalha de vários dias. Ela conseguiu o meu respeito e eu a reconheci como líder.
As demais crias de nosso lar foram vindo aos poucos a partir de nossa vigilância. Hoje, um ano depois disso, somos respeitados por nossos iguais e mantemos vivo o trabalho de Pai Lobo. Contrariando a ordem das coisas, fomos escolhidos pelo totem. Sabíamos já que deveríamos caminhar juntos, pois tínhamos sido abençoados pela Mãe Luna.
Irmãos, agora eu devo ir... Voltar para casa e recomeçar."
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